É com grande ânimo que eu (e em simultâneo o meu ego!) verifico que a temática da clausura da “J’s” se tornou num assunto de debate bastante pertinente.
Contudo, há que continuar. Não se pode deixar assunto de tal importância morrer, com apenas meia dúzia de “bitaites”, como se costuma dizer. Há que o dissecar ainda mais. E apesar do texto do Francisco Lacerda ter explicado e posto a nu muitos dos assuntos que são, realmente, o âmago da questão, sinto que ainda há muito mais para ser dito, aliás, muito mais do que eu vou conseguir dizer neste texto.
Comecemos então, por onde já se devia ter começado há muito, pelo princípio. No inicio do texto do Francisco, este realça o facto das “J’s”, mas em especial a JS se encontrar “desligada” do exterior, de não comunicar com outras “J’s”, associações, grupos de interesse, privados, etc. Pessoalmente, não concordo por inteiro com esta passagem do Francisco, não sei se pelo espaço temporal de militância válida e exercida que nos separa, se pelo facto de ter os pés mais (ou menos!) assentes na terra do que ele.
A ideia que tenho acerca desta matéria é algo distinta, mas contudo, não deixa de ser menos triste. Esta aproximação com o exterior acontece, mas o problema é que acontece em situações pontuais, no fundo porque alguém que se lembra que também se pode fazer dessa maneira. É a excepção e não a regra! Esta situação tem que mudar, pois que esta rotina abre flancos na nossa sociedade para muitos dos problemas com os quais nós, portugueses e jovens socialistas, nos debatemos todos os dias. Problemas tais como: o laxismo, isto é, a acomodação a algo menos trabalhoso, como é o que acontece hoje na realidade da JS. Muitos são aqueles que se contentam em realizar um “actividadezita” para alguns e pronto, está feito! Contentam-se, portanto, não sendo bons, serem os menos maus. Esta é uma visão medíocre e redutora que tem de mudar! Este laxismo conduz à descredibilização da política e dos políticos, tema que de uma forma bastante clara e pertinente foi trazido a debate neste blogue pelo Francisco Ribeiro, e que se reflecte, por exemplo, no texto do Pedro Costa sobre a realidade do PSD.
Esta clausura, para além de promover o laxismo, assim como muitos outros problemas, dentro das estruturas onde se “entranha”, fomenta um flagelo, de longe muito pior, um problema que tem atrasado Portugal durante toda a sua existência, a ignorância. A incapacidade por parte das “J’s”, mas em particular da JS de se aproximar dos jovens e da comunidade, aumenta o fosso entre ambos, visto que embora a comunidade/militantes também se possa aproximar das suas estruturas, é da exclusiva responsabilidade da JS, assim como de qualquer outra organização (politica, social, etc.), estabelecer pontes entre si e a comunidade/militantes que as rodeiam, pois que a evolução das sociedades e sua progressiva complexidade, torna imperativa esta abertura e aproximação, como instrumento para se criar uma sociedade esclarecida!
Para tanto problema tem que haver solução! Mas esse, é tema para outro texto…
Ps - As minhas desculpas pela confusão do termo laicismo com laxismo, um erro devido a pura distracção
Cumprimentos
Pedro Antunes