É com muito prazer, apesar de com um dia de atraso, me dirijo aos militantes da JS Bairro Alto através deste blog . Felicitando todos os participantes, em particular aqueles que cumpriram o prazo da sua contribuição.
O Tema que escolhi para falar hoje, a actual situação do PSD, é um tema que muito tem sido falado: “ Quem tem maiores hipóteses de derrotar José Sócrates?”, “Qual dará melhor primeiro-ministro”, “ Queremos uma cara nova!”, “Queremos uma figura que representa a estabilidade!”, etc. A meu ver, o PSD tem sim que pensar como vai regressar á imagem de partido sério que perdeu, pois, desde a saída de Durão Barroso o PSD teve apenas 4 meses de governação e, contando com o presidente que será eleito ainda este mês, 4 lideres. Para nós, membros da JS, esta situação dramática vivida no principal partido da oposição pode parecer uma vantagem, mas não é, apesar de devido aos nosso ideais preferirmos um governo socialista, temos, como democratas, a necessidade da existência de uma oposição. A oposição é o garante do melhor funcionamento do país e do debate de ideias para o mesmo, ou deveria ser, e em Portugal, neste momento, apenas o PSD tem visibilidade para liderar a oposição ao governo. Sendo assim, o tema “ Eleições no PSD” é um tema fundamental para o país, e sobre o qual se deve falar.
Quanto aos candidatos, parece-me que o PSD terá que avaliar quem será o melhor candidato a primeiro-ministro, a melhor alternativa. Na minha opinião, Manuela Ferreira Leite não será certamente essa alternativa, pois quando o governo propuser a descida de impostos será a primeira a gritar pela subida dos mesmos, e quando a idade da reforma for aumentada para os 65 ela pedirá que seja aumentada sim, mas para 75 ou até mesmo 85. Pedro Santana Lopes é, a meu ver, o símbolo da crise de credibilidade do PSD, mais conhecido pelas aparições em revistas cor-de-rosa, pelas noites na Kapital e pelos seus 4 meses como primeiro-ministro do que pelo seu trabalho politico de qualidade ( como os anos que passou como presidente da câmara da Figueira da Foz ) sai ainda com a sua credibilidade manchada por medidas, inventadas no momento em que as apresenta, como a descentralização dos ministérios. Resta então Pedro Passos Coelho, para mim um verdadeiro desconhecido até apresentar a sua candidatura. Apesar de ser o menos conhecido dos três, marca uma mudança de geração no PSD que poderá vir a ser benéfica para o partido e para o país, esta mesma mudança pode também levar á saída de vários elementos importantes do partido e causar uma fragmentação do PSD em vários novos partidos, sendo esta a situação, de todas as possíveis a pior situação para a democracia.
Assim, posso afirmar em jeito de conclusão, que dois dos candidatos podem levar ao fim do partido por manterem uma grande instabilidade na liderança e o outro pode levar a uma fragmentação do partido em micro-forças partidárias, portanto quanto aos candidatos a líder do PSD : Venha o Diabo e escolha.
quinta-feira, 15 de maio de 2008
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3 comentários:
normalmente a expressão "venha o diabo e escolha" é mais usual no dia das eleições contudo pedro, neste caso a expressão parece adequada à mesma.
Venho, enquanto amigo de alguns membros do Secretariado da JS/Bairro Alto e enquanto coordenador da JS/Penha de França, deixar-vos os parabéns e o meu desejo de bom trabalho. Os parabéns não são "só porque sim" - vejo que, pouco tempo depois de serem eleitos, já têm este projecto de blogue a andar, com várias visitas e bastante participado.
Uma palavra sobre Passos Coelho: a sua forma/estilo de fazer política é bastante positiva e original em Portugal, embora essa mesma forma/estilo esteja ao serviço de um conteúdo neoliberal que obviamente repudio. Mas há que dizer o seguinte: mesmo no que diz respeito ao seu conteúdo político, Passos Coelho é bastante raro porque não é de uma direita liberal-conservadora (liberal na economia, conservadora nos costumes), sendo sim ao invés um liberal puro - na economia mas também, surpreendentemente, nos costumes (não se opôe ao casamento gay, por exemplo). Ele vai somando apoios e é aquele que penso que melhor nos combaterá - porque não tem telhados de vidro (nunca teve experiência governativa) e porque é, no plano da economia (não dos costumes), o mais afastado de nós -isto é, o mais neoliberal.
Agradeço a participação do David Erlich,que tem sempre algo interessante a acrescentar e é um participante assíduo dos vários blogues da JS.Desejo ainda que a JS Penha de França também tenha iniciativas como este blogue que criámos.
Quanto ao PSD e os seus candidatos:
Não concordo com o Erlich quando diz que Passos Coelho representa algo de novo e original.Tem,sem dúvida,uma imagem jovem e de outsider mas limita-se a isso.De uma forma geral,não há nada de novo e substancial em Passos Coelho,como aliás em todos os outros candidatos(infelizmente para Portugal).Concordo com o Erlich,no que toca à matriz claramente liberal de Passos Coelho mas,ao contrário de ocasiões passadas(quando não era tão conhecido),penso que não tem conseguido transmitir e clarificar a sua marca liberal,sobretudo nos raros momentos decisivos como são as entrevistas em horário nobre.Espanta-me ainda a falta de preparação de Manuela Ferreira Leite que apesar de ter sido uma péssima ministra das finanças,reconheço qualidades.O seu discurso é,por vezes,descontextualizado e virado para o passado recente.Quanto a Santana,penso que não deve merecer a confiança dos militantes do PSD pela simples razão de que não percebe que o seu tempo já passou e se não percebe algo tão óbvio,como conseguirá perceber o que será melhor para Portugal?!
Em suma,nada de verdadeiramente novo e os actuais candidatos,para infortúnio do PSD,continuam virados para o passado recente.Péssimo para o PSD e para Portugal.
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